quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
FAMILIA
"Preciso me concentrar. É essencial. Por quê? Ora, que pergunta! Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema - principalmente no Natal e no Ano-Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Ás vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida - azeitona verde no palito - sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano - quem diria? - solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este, o mais gordo e generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente. E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero ou do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e a cebola. Não se envergonhe se chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, essas especiarias - que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar - tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe "Família à Oswaldo Aranha", "Família à Rossini", "Família à Belle Meunière" ou "Família ao Molho Pardo" - em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é "À Moda da Casa". E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras, apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada - seriam assim um tipo de "Família Diet", que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Há famílias, por exemplo, que levam muito tempo para serem preparadas. Fica aquela receita cheia de recomendações de se fazer assim ou assado - uma chatice! Outras, ao contrário, se fazem de repente, de uma hora para outra, por atração física incontrolável - quase sempre de noite. Você acorda de manhã, feliz da vida, e quando vai ver já está com a família feita. por isso é bom saber a hora certa de abaixar o fogo. Já vi famílias inteiras abortadas por causa de fogo alto. Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia-a-dia. A gente cata um registo ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente, na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete." Francisco Azevedo in Arroz de Palma
segunda-feira, 14 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
DIAS MAUS OU ASSIM A ASSIM
sábado, 12 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
NO TOPO
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
PARA MEDITAR
segunda-feira, 7 de maio de 2012
ESTOU DE GATAS...
domingo, 6 de maio de 2012
SER MÃE
quinta-feira, 3 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
A CÓCÓ ESCREVEU...
...e muito bem aquilo que eu assino por baixo.
Passei o dia a combater comentários idiotas a criticar quem foi,quem passou horas nas filas...
Tivesse eu sabido antes do Jornal da noite a ver se eu também não teria ido...
Isto de gerir uma família só com um vencimento já tem muito de acrobacias portanto não me daria nada mal lá...
"O Facebook está cheio delas. Eu só me rio com a onda de protestos, de indignações, de transformar o Pingo Doce num monstro fascista, do Dumping, da guerrilha ideológica contra o 1º de Maio... A verdade é que a cadeia de hipermercados deve estar do mais feliz que há: não só vendeu à maluca como conseguiu uma proeza de marketing que dificilmente conseguiria de outra forma qualquer. Não é de agora a frase: «Falem bem de mim ou falem mal... mas falem!» Eu? Bom, eu por enquanto, tenho a felicidade de não precisar de ficar horas em filas malucas para aproveitar o desconto que era, a bem dizer, muito bom. Odeio confusões, odeio filas, odeio muito. E, por isso, teria de precisar mesmo muito para me apanharem numa destas. Mas como isso pode acontecer num abrir e fechar de olhos (basta que um de nós, casal, fique sem trabalho) não nego que venha a aderir a uma destas iniciativas, no futuro. Se me perguntarem: queres? Epá, não... se fosse possível, não queria ter de me meter nisto. Mas se for preciso... meus amigos! Se for preciso até vendo o corpinho, para alimentar as minhas crias. Por isso... estou à vontade para falar. Tenho muito respeito por quem precisa. Podem acusar-me de tudo, menos de não respeitar os outros. Tudo o resto são manobras de diversão. E humor. E, claro, muita falta de educação (do pessoal que andou ao estalo por causa de pacotes de manteiga ou de rolos de papel para limpar o traseiro)." Sónia Morais Santos/ Cócó na Fralda
"O Facebook está cheio delas. Eu só me rio com a onda de protestos, de indignações, de transformar o Pingo Doce num monstro fascista, do Dumping, da guerrilha ideológica contra o 1º de Maio... A verdade é que a cadeia de hipermercados deve estar do mais feliz que há: não só vendeu à maluca como conseguiu uma proeza de marketing que dificilmente conseguiria de outra forma qualquer. Não é de agora a frase: «Falem bem de mim ou falem mal... mas falem!» Eu? Bom, eu por enquanto, tenho a felicidade de não precisar de ficar horas em filas malucas para aproveitar o desconto que era, a bem dizer, muito bom. Odeio confusões, odeio filas, odeio muito. E, por isso, teria de precisar mesmo muito para me apanharem numa destas. Mas como isso pode acontecer num abrir e fechar de olhos (basta que um de nós, casal, fique sem trabalho) não nego que venha a aderir a uma destas iniciativas, no futuro. Se me perguntarem: queres? Epá, não... se fosse possível, não queria ter de me meter nisto. Mas se for preciso... meus amigos! Se for preciso até vendo o corpinho, para alimentar as minhas crias. Por isso... estou à vontade para falar. Tenho muito respeito por quem precisa. Podem acusar-me de tudo, menos de não respeitar os outros. Tudo o resto são manobras de diversão. E humor. E, claro, muita falta de educação (do pessoal que andou ao estalo por causa de pacotes de manteiga ou de rolos de papel para limpar o traseiro)." Sónia Morais Santos/ Cócó na Fralda
terça-feira, 1 de maio de 2012
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